Indústria calçadista prevê aumento de 12% na produção

Indústria calçadista prevê aumento de 12% na produção

24/06/2021

Setor sofreu com os últimos meses, mas projeta retomada A pandemia da Covid-19 seguiu impactando os negócios do cluster coureiro-calçadista brasileiro – conjunto de segmentos que constitui o setor – no primeiro semestre do ano. A segunda onda da doença provocou, entre os meses de março e abril, um novo fechamento do comércio físico em São Paulo, principal centro consumidor de calçados do País, refletindo em todos os elos da cadeia produtiva calçadista. No entanto, as entidades setoriais de classe projetam que as empresas fechem o ano com incremento nos negócios.

Conforme o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, apesar de um primeiro semestre aquém das expectativas, o setor projeta fechar o ano com uma produção 12% superior a de 2020. "Hoje, diante de uma base muito fraca do ano passado, estamos registrando incrementos, que ainda nos deixarão muito longe de retomarmos a performance pré-crise, em 2019", pontua Ferreira. O fechamento do comércio físico em São Paulo fez com que a indústria de componentes para calçados passasse por cancelamentos de pedidos. "Provocou um efeito cascata, causando paralisação do segmento. Em maio, quando o comércio reabriu e as fábricas começaram a girar o produto, o setor teve um segundo problema: que é a escassez de matéria-prima", afirma a superintendente da Assintecal, Silvana Dilly. Contudo, salienta que o segmento deve fechar o primeiro semestre com incremento nas exportações, somando US$ 67 milhões em negócios, o que representa uma alta de 18,8% em relação ao mesmo período de 2020.

Já, o mercado mundial do couro tem apresentado, desde o segundo semestre de 2020, uma reação à queda nos primeiros meses do ano passado. "Os resultados neste ano são positivos, com alta nos valores e volumes exportados, mas seus números devem ser analisados com cautela. Se, por um lado, temos crescimento dos resultados, por outro, precisamos observar que houve aumento do custo da matéria-prima nos últimos 12 meses, e também que a comparação de dados se dá com 2020, que foi um ano completamente atípico", observa o presidente-executivo do CICB, José Fernando Bello. 

Assim como os demais segmentos do cluster, a indústria de máquinas e equipamentos começou 2021 mantendo um bom nível de negócios. No entanto, a partir de março houve desaceleração, o que piorou em abril, com o mercado muito lento. "Várias fábricas estão trabalhando com 30% a 40% de redução de jornada e espera-se uma retomada a partir da segunda quinzena de julho" aponta o presidente da Abrameq, André Nodari. Por outro lado, o mercado de máquinas para curtumes vem apresentando bom nível de negócios devido à característica exportadora dos curtumes.

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