Abicalçados avalia que Custo Brasil inviabiliza abertura comercial

Abicalçados avalia que Custo Brasil inviabiliza abertura comercial

11/06/2021

A indústria calçadista brasileira se mostra preocupada com a ideia, ventilada por parte da equipe econômica do Governo Federal, de realizar uma abertura comercial irrestrita para produtos estrangeiros, com a redução da tarifa de importação, a chamada TEC (tarifa aplicada para produtos de fora do Mercosul). Nesta toada, já está em processo de consulta pública acordos comerciais entre o Mercosul, Vietnã e Indonésia, alguns dos principais concorrentes do setor em nível mundial.  Levantamento recente da CNI aponta que, caso o acordo seja efetivado, o principal setor prejudicado seria justamente o coureiro-calçadista brasileiro, que, com a concorrência desleal diante dos dois produtores asiáticos perderia mais de 6% do seu PIB imediatamente. 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, conta que o assunto foi levado algumas vezes para o ministro da Economia Paulo Guedes, que reiterou o posicionamento de que a abertura comercial só seria realizada com a redução proporcional do Custo Brasil. "Porém, existe um processo de Consulta Pública para a realização de um acordo comercial entre o Mercosul, Vietnã e Indonésia, sem a prometida redução mais efetiva dos custos de produção. É uma comunicação dúbia, que deixa a indústria nacional insegura", frisa Ferreira. 
O levantamento da CNI aponta, ainda, que os alvos da tentativa de realização de acordo comercial, Vietnã e Indonésia, não possuem preocupações trabalhistas, tendo ratificado apenas 13% e 11% das convenções trabalhistas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), respectivamente. O Brasil ratificou 52% das convenções de proteção ao trabalho. Além disso, a diferença no salário mínimo pago aos trabalhadores também é gritante. No Brasil é US$ 326, no Vietnã US$ 40 e na Indonésia 147.

Comunicação da Abicalçados