Mercado e produto criam diferentes cenários no calçado

Mercado e produto criam diferentes cenários no calçado

11/05/2021

De um lado, boom nas exportações, empresas aumentando o quadro de colaboradores, investindo em novas máquinas e tecnologias. De outro, demissões, fechamento de fábricas, queda na produção e no faturamento. É assim a "gangorra" da indústria coureiro-calçadista, que embarcou em março 12,3 milhões de pares, 38,5% a mais em volume que em março de 2020, mas aparece nos noticiários com dados controversos: investimentos em modernas fábricas enquanto outras fecham postos de trabalho.

Quais são os motivos para estas diferentes realidades dentro de um mesmo setor? Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, entre os principais fatores estão as diferenças entre o mercado interno e externo.

"Muitas empresas que têm a exportação como responsável por mais da metade da produção não tiveram problemas de pedidos", detalha, acrescentando que, no principal destino das exportações brasileiras, os EUA, além do processo de vacinação estar mais avançado, não teve fechamento de mercado como aqui. A outra face da mesma moeda, explica, traz calçadistas focadas fundamentalmente no mercado interno que sofreram com o fechamento do comércio gaúcho, assim como no Estado de São Paulo, que consome mais de 40% dos calçados nacionais.

O tipo de calçado produzido também influencia na boa ou má fase. "Com as pessoas praticando atividades físicas, ficando em home office, os esportivos performaram melhor. Por outro lado, o calçado social, de festa, sofreu bastante", observa o vice-presidente de Indústria da ACI/NH-CB-EV, Frederico Wirth.

A expectativa é de reações positivas tanto nas vendas internas quanto internas no segundo semestre. "No final do ano passado, vínhamos na parte baixa da onda Covid. O Natal movimentou o consumo, estávamos com casos em baixa. Janeiro foi mais ou menos, mas, em fevereiro, explodiram casos e veio um colapso nacional", recorda, Frederico Wirth, da ACI, que avalia para, "a partir de junho, julho, com a vacinação andando, o novo auxílio e medidas de manutenção do emprego, a situação comece a melhorar".

Jornal NH