RS segue na liderança das exportações de couro

RS segue na liderança das exportações de couro

01/03/2021

O Rio Grande do Sul manteve a hegemonia entre os estados brasileiros que mais exportaram couro em 2020. Os gaúchos foram responsáveis por 23,9% das exportações em volume e de 28,1% em faturamento, quase o dobro do segundo colocado, São Paulo, que respondeu por 14,5%. No ano passado, o RS embarcou 41 milhões de metros quadrados, que renderam US$ 274 milhões. Resultado que representou alta de 4,1% em quantidade e queda de 11,3% em valor, em comparação com 2019.

O presidente-executivo da AICSul, Moacir Berger, considera que, apesar de 2020 ter sido um ano atípico, o desempenho dos curtumes gaúchos no ano passado foi razoável. "Os efeitos da pandemia se fizeram sentir de forma mais acentuada nos meses de abril, maio e junho, quando os embarques diminuíram mais de 30% em cada mês, comparado com os mesmos meses de 2019. A partir de julho se nota uma lenta recuperação nos volumes embarcados. Os meses de novembro e dezembro superaram em mais de 20% igual período do ano anterior", salienta. Berger destaca que o aspecto negativo no desempenho do ano foi a queda considerável do preço de venda do couro curtido no mercado internacional. "É reflexo da vertiginosa queda da demanda em função da pandemia. Seguindo a tendência verificada nos meses de novembro e dezembro, é razoável prever um 2021 de forma bem mais otimista após seis anos consecutivos de queda nas exportações de couro curtido. O mês de janeiro/2021 aponta nesta direção", analisa.

Com 95 anos de mercado e exportando 100% de sua produção, principalmente para o setor de artefatos de couro – com share de 70% em couro semiacabado e 30% em couro acabado –, o Curtume AP Müller (Portão/RS) viu a pandemia impactar sua performance no exterior. "As exportações de 2020 começaram muito bem, com boas expectativas. Mas, a partir de fevereiro caíram e ficamos sem previsibilidade do que aconteceria. Nossa recuperação só aconteceu a partir de setembro e ainda sim, em velocidade muito lenta, e com sérias restrições em diversos mercados", observa o diretor da empresa, Cezar Müller.

Entre março e junho do ano passado, o volume exportado pelo Curtume Minuano Lindolfo Collor/RS) chegou a ter uma queda de 50%. A recuperação aconteceu no começo do segundo semestre. "Como exportamos essencialmente para o setor do mobiliário, que foi um segmento que não sofreu tanto como o de moda, por exemplo, a recuperação aconteceu de forma mais rápida", pontua o diretor executivo da empresa, Mateus Enzweiler. Segundo ele, apesar do ano atípico, a companhia teve crescimento em seus negócios externos na ordem de 12% a 13% em valor, por conta da valorização do dólar

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