Recuperação só virá com agenda de reformas, alerta Abicalçados

Recuperação só virá com agenda de reformas, alerta Abicalçados

20/01/2021

Mesmo experimentando uma recuperação no último bimestre de 2020, o setor calçadista nacional, responsável pela geração de mais de 255 mil empregos diretos no Brasil, vem mostrando preocupação quanto à sustentabilidade da retomada para os próximos anos. 

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o setor deve encerrar 2020 com uma queda de 22% na produção de calçados, retornando ao patamar de 16 anos atrás, algo em torno de 710 milhões de pares. "São 200 milhões de pares a menos do que no ano anterior. Isso significou empregos de milhares de pessoas. Somente no pico da pandemia do novo coronavírus, entre março e junho perdemos mais de 60 mil postos", conta o dirigente. Porém, o setor passou a experimentar uma recuperação com a abertura gradual do varejo no segundo semestre, mas que não foi suficiente para "salvar" 2020. Em novembro passado, conforme o IBGE, a produção de calçados teve o único resultado positivo ante mesmo mês de 2019, 6,7%. "Ainda assim, entre janeiro e novembro de 2020 a queda acumulada ficou em 23,4%", informa Ferreira. 

Segundo Ferreira, apesar de o Brasil contar com uma produtividade por trabalhador maior do que os maiores concorrentes do setor calçadista em âmbito internacional (China, Vietnã e Indonésia), os custos produtivos elevados acabam tirando a competitividade do produto nacional, tanto aqui quanto no exterior. "O Brasil já foi um dos maiores exportadores de calçados do mundo e hoje não figura nem mesmo entre os 10", lamenta o dirigente, acrescentando que a indústria nacional faz o "dever de casa", mas que precisa ter a clareza de uma agenda de reformas estruturais mais robustas para poder competir com concorrentes internacionais, especialmente os asiáticos.  

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