Setor calçadista deve crescer 19% em 2021, projeta Abicalçados

Setor calçadista deve crescer 19% em 2021, projeta Abicalçados

17/12/2020

O ano de 2020 foi de dificuldades para o setor calçadista nacional. Dependente do mercado doméstico, para o qual são destinadas mais de 85% das vendas setoriais, a indústria calçadista viu sua produção despencar 27% (até outubro, conforme dados do IBGE). Para o final do ano, a projeção é de que a queda fique em torno de 25%, fazendo com que o setor retorne ao patamar produtivo de 16 anos atrás, na faixa de 650 milhões de pares. A queda, conforme a Abicalçados, é influenciada também pelas exportações de calçados, que até novembro caíram 19,4% (para 84,48 milhões de pares).

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a pandemia do novo coronavírus afetou severamente a indústria calçadista, que deve encerrar o ano com 250 milhões de pares a menos e com a perda de cerca de 20 mil postos de trabalho. "Existe uma tendência de recuperação verificada nos últimos meses de 2020. Para o início do próximo ano, a tendência é essa, ainda mais levando em consideração a vacinação e a normalização do comércio físico, do qual ainda somos dependentes", explica o executivo, ressaltando que a previsão é de um crescimento de 19% ao longo de 2021, portanto com o setor ainda encerrando o próximo ano abaixo dos registros de 2019. "Ou seja, se empatarmos com 2019, será apenas em 2022", projeta Ferreira.
Ferreira conta que o ano só não foi pior devido a algumas medidas de estímulos adotadas pelo Governo Federal, caso da MP 936, que permitiu a preservação de empregos através da flexibilização das jornadas e suspensões temporárias de contratos de trabalho, e da desoneração da folha de pagamentos, que permitiu que as empresas continuassem substituindo o pagamento de 20% sobre a folha de salários por 1,5% da receita bruta, excluindo as exportações. "Foram fundamentais (as iniciativas). O ano poderia ter sido muito pior do que foi", avalia. Por outro lado, o dirigente da Abicalçados ressalta que para dar continuidade a uma recuperação mais robusta e sustentável, é preciso avançar nas reformas estruturais do Estado brasileiro, especialmente no que diz respeito às reformas tributária e administrativa. "O certo é que não podemos conviver com um Estado do tamanho que está, com a dívida pública crescendo e os tributos sobre o setor produtivo elevados. É preciso desburocratizar e diminuir a carga tributária para termos o mínimo de competitividade para concorrer com os players internacionais, tanto aqui quanto além-fronteiras", pontua.

Comunicação da Abicalçados


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