Indústria asfixiada e o estado sob pressão

Indústria asfixiada e o estado sob pressão

02/06/2020

Desde o início da pandemia, a indústria gaúcha vem registrando uma descomunal queda no seu nível de atividade. Segundo pesquisa da FIERGS, 60% das empresas apresentam queda intensa na produção fabril, e 72% apontam redução drástica de faturamento. Essa realidade leva ao fechamento de vagas de trabalho, como lamentavelmente mostrou o recente relatório do Caged : 1,1 milhão de brasileiros ficaram sem emprego formal nos meses de março e abril.

Os números evidenciam a brutal perda de capacidade produtiva, que provoca o encerramento das atividades de inúmeras fábricas e empreendimentos vinculados, causando um efeito devastador na sociedade. As medidas de apoio à sobrevivência empresarial não estão chegando na ponta. Levantamento da FIERGS com 300 fábricas mostra que 63% das empresas não  conseguem acessar as linhas de crédito para capital de giro, ou seja, não basta anunciar programas sem cuidar da sua execução para que contemplem com rapidez os seus destinatários.  Se essa situação perdurar, ao final da pandemia haverá menos empresas, menos empregos, e uma formidável redução da receita fiscal, o que aumentará a pressão sobre o Estado.

Por isto, com o mesmo empenho e velocidade em que todos  procuramos achatar a curva de propagação do vírus, é essencial e urgente o achatamento da curva de irradiação da crise na economia.  O foco deve ser o equilíbrio do isolamento social com a dinâmica das atividades produtivas.

Tudo isto para que a indústria possa sobreviver em patamar compatível com o processo de recuperação que se almeja e o Estado possa sair da pressão financeira a que está senso submetido. Caso contrário, a pandemia vai provocar um pandemônio de difícil reversão.

Gilberto Porcello Petry - presidente da FIERGS