Economista da FIERGS vê quadro melhor para 2019

Economista da FIERGS vê quadro melhor para 2019

17/01/2019

Nesta quarta-feira (16), a Abrameq e o SinmaqSinos realizaram almoço de boas-vindas aos associados das duas entidades. Na abertura, o presidente Marlos Schmidt destacou que "estamos com a expectativa de um ano bom para o setor, em um cenário melhor do que no ano passado, com um novo governo que se espera que realize o que vem anunciando".

Para analisar as perspectivas econômicas em relação ao novo ano, falou o economista-chefe do Sistema FIERGS, André Nunes de Nunes, que iniciou abordando o cenário internacional: a economia global deverá seguir crescendo, com risco de desaceleração. A expectativa é de um incremento de 3,7% no PIB, com risco de cair para 2,9%, principalmente em razão da disputa comercial entre Estados Unidos e China, "que deverá ser longa". Adicionou que o dólar deverá se manter valorizado, diante de uma economia aquecida nos EUA.

Em relação aos principais clientes brasileiros, Nunes estima que o PIB da China vá crescer 6,2%, enquanto o da Argentina cairá 1,6% (para crescer 2,2% em 2020), enquanto o PIB norte-americanos poderá ter incremento de 2,4%.

Quanto ao Brasil, o economista lamenta que o Brasil tenha fechado 2018, com PIB 4,4% menor do que em 2014, enquanto o Rio Grande do Sul se apresentou com PIB 5,2% menor do que o que tinha em 2013. E isto que, no ano passado, indústria brasileira tenha alcançado incremento de 1,5% e a do Rio Grande do Sul registrado aumento de 6,3%. Porém, este alto índice gaúcho, observa Nunes, foi gerado principalmente por apenas dois setores: automóveis e papel e papelão.

A respeito de couro e de calçados, o economista observou que 2018 não foi um ano bom para estes setores, "mas o cenário aponta para melhora em 2019". Aliás, ele vislumbra uma melhora generalizada, provocada por menor incerteza, maior confiança, inflação controlada (em torno de 4%) e juros estáveis (talvez com a taxa Selic mantida em 6,5%). Acrescentou que há motivos para esperar melhora no crédito, ainda que não nos níveis de 2012 e 2013.

Contudo, Nunes adverte que esta recuperação somente será duradoura caso aconteçam reformas estruturais, sendo a crise fiscal o principal fator de risco e imprescindível a realização de uma reforma previdenciária profunda.

Neste cenário melhor, o economista estima um incremento de 2,8% no PIB do Brasil em 2019, com aumento de 3% no setor indústria. No Rio Grande do Sul, prevê crescimento de 2,4% no PIB e de 2,8% na atividade industrial.

Ao finalizar, Nunes afirmou que o programa econômico apresentado por Bolsonaro está na direção correta e que dará certo se o foco for no desempenho da economia. Reconheceu que não será fácil aprovar as reformas no Congresso Nacional, mas ressaltou que o poder de barganha do novo governo do que muitos analistas estimam.